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27 de Outubro de 2011 / Sofia Ferreira

Eugène Atget

A vida e a intenção de Eugène Atget são fundamentalmente desconhecidas. Apenas alguns factos documentados e algumas lembranças e lendas fornecem um esboço escasso da vida de Atget.

Nasceu em Libourne, perto de Bordeaux, França, em 1857, e trabalhou como marinheiro durante a sua juventude. Depois da vida marítima, decidiu lançar-se na carreira de actor, no teatro, mas não alcançou grande sucesso, o que o levou a abandonar a carreira.

Depois de uma curta experiência com a pintura, Eugène tornou-se fotógrafo, e começou o verdadeiro trabalho de toda a sua vida. Até à sua morte trinta anos mais tarde, trabalhou silenciosamente nesta sua vocação. Para um observador casual e de olhar destreinado, Eugène Atget pode ter parecido um fotógrafo comercial da sua época.

Não progredia, mas trabalhou pacientemente nas técnicas que eram obsoletas quando as adoptou, e quase anacrónicas na altura que faleceu.

Era pouco dado a experiências no sentido convencional, e ainda menos para a teorização. Não fundou nenhum movimento e não atraiu nenhum círculo. Fez, porém, fotografias que pela pureza e intensidade de visão, não foram superadas por qualquer outro fotógrafo da sua época.

Outros fotógrafos preocupavam-se com a descrição de factos específicos (documentários), ou com a exploração das suas sensibilidades (auto-expressão). Atget transcendeu estas duas abordagens, ao empenhar-se na tarefa de compreender e interpretar, em termos visuais, uma

tradição complexa e antiga. As fotografias que criou ao serviço deste conceito são sedutoramente e enganosamente simples, totalmente equilibradas, reticentes, com uma densa experiência, misteriosas e verdadeiras.O trabalho de Atget é único em dois níveis: foi

o criador de um grande catálogo visual dos frutos da cultura francesa, a qual sobreviveu em e de perto de Paris no primeiro trimestre deste século. Foi, ainda, um fotógrafo de tal autoridade e originalidade, que a sua obra permanece até hoje um ponto de referência contra a qual a maioria da mais sofisticada fotografia contemporânea é comparada.

– in “Looking at Photographs” de John Szarkowski
Sofia Ferreira
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